Professora Ingrid 2010

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Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brazil
Magistério com habilitação em Séries Iniciais e Pré-escola (SP), Pedagogia e Psicologia da Educação (FURG), Pós-graduanda em Psicopedagogia, Mestra em Educação Ambiental com abordagem na Cultura Afro-brasileira e Artes (FURG) e ex-graduanda do Curso de Letras- Português (FURG). Estudei piano e teoria musical na Conservatório de Música do Rio de janeiro e Rio Grande. Aprendi instrumento de sopro/metal e flauta doce. Funcionária Pública Estadual e Municipal com experiência em Gestão Escolar, Supervisão Escolar, Docência, Educação Especial e EJA. Experiência no setor privado como Bancária e Secretária. Realização de projetos, como: Coral de adultos e infanto Juvenil; confecção de artesanato em geral;Coordenadora de acampamentos para crianças e jovens, adultos e idosos; recreação para crianças, jovens, adultos e idosos; música; dança;projetos sociais; palestras com diversos temas apresentados em vários Estados Brasileiros, América Latina e na Europa/Alemanha;Apresentadora de Programa de Rádio.Assessora Pedagógica das Relações Étnico-Raciais SMED/Rio Grande-RS.

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domingo, 17 de janeiro de 2010

EDUCADOR(A) INFANTIL: NÃO TENHA MEDO DE FALAR SOBRE CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA SALA DE AULA

EDUCADOR(A) INFANTIL: NÃO TENHA MEDO DE FALAR SOBRE CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA SALA DE AULA


Autora: Ingrid Oliveira Santos Costa
Apresentadora: Ingrid Oliveira Santos Costa


A Educação Infantil tem sido tema de pesquisa dos profissionais da área envolvidos na busca de caminhos seguros no trabalho com crianças nessa fase de escolaridade. Nesse sentido, voltamos nossa atenção para o cotidiano da sala de aula, com a intenção de provocar uma reflexão crítica sobre a abordagem que se faz (ou não se faz) no ambiente escolar sobre a Cultura Africana e afro-brasileira, enriquecendo o desempenho do educador na sua tarefa. O ensino sobre Cultura Afro-Brasileira valoriza a participação do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. O silêncio sobre a importante contribuição da cultura negra para a sociedade brasileira nas diversas instituições educacionais contribui para que as diferenças entre negros e brancos sejam entendidas como desigualdades naturais. Portanto, enquanto educadores, não podemos ter receio de falar sobre a cultura afro-brasileira na sala de aula, não podemos mais nos silenciar diante dessa questão. Este trabalho tem o propósito de incitar o professor a despertar seu interesse para as questões referentes a cultura e história da África e do negro no Brasil, favorecendo o pequeno educando a (re)construir sua história de vida valorizando o multiculturalismo independentemente de sua origem étnico-racial.

Palavras-chave: educação infantil; infância; cultura afro-brasileira; multiculturalismo;

Eixo Temático: Eixo 1 - Identidade e formação de professores da infância

Forma de apresentação: (1) Comunicação Oral
EDUCADOR(A) INFANTIL: NÃO TENHA MEDO DE FALAR SOBRE CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA SALA DE AULA

Ingrid Oliveira Santos Costa
Ingrid Oliveira Santos Costa

INTRODUÇÃO

A Lei 10.639/2003 veio atender a uma das reivindicações do movimento negro relativamente à educação: colocar o afro-brasileiro como protagonista na construção da sociedade. De acordo com Fernandes (2005), a Lei abre espaço para que o negro seja incluído nas propostas curriculares como sujeito histórico. Nesta perspectiva, há que se ter profissionais da educação, especialmente professores, devidamente preparados, que sejam capacitados e habilitados a realizarem uma releitura do currículo à luz da História e da Cultura Afro-Brasileira, bem como elaborar propostas pedagógicas que tenham fundamentos filosóficos, antropológicos, sociológicos, históricos, religiosos, geográficos e culturais que abordem a questão do negro.

O quanto antes iniciarmos o trabalho pedagógico com as nossas crianças, mais cedo oportunizaremos a eles em sua formação como cidadãos a identidade positiva na valorização do negro em nosso país e em todos os lugares do mundo, fortalecendo o processo de construção da personalidade do afro-descentente e dos outros de outras etnias.

OBJETIVO

Favorecer a compreensão, o reconhecimento e a valorização do estudo da História e da Cultura Afro-Brasileiras e Africanas na formação de professores que atuam na Educação Infantil e demais áreas. Despertar os professores para a necessidade de uma visão mais ampla em prol da construção de uma sociedade mais fraterna, que perceba as diferenças sem preconceitos ou hierarquizações para que assim possibilitem a seus alunos (re)construir sua história de vida, independentemente de sua origem étnico-racial, resgatando valores culturais e valorizando o multiculturalismo.

METODOLOGIA

A História do Brasil que tem sido ensinada nas escolas foi elaborada exclusivamente a partir da visão européia, eurocêntrica, porque as outras matrizes de conhecimento e outras experiências históricas e culturais que compõem a formação do povo brasileiro não têm sido contempladas.

Os livros didáticos e outras produções bibliográficas ignoram a participação de africanos e afro-brasileiros na construção intelectual e material do país. Este descuido tem o propósito de levar a uma sub-representação de uma parte da população na história do Brasil, para reproduzir o processo de dominação e opressão a que essa parcela da sociedade tem sido submetida.

A educação escolar nos ensina que somos resultantes da convivência cultural de três povos (europeu, africano, indígena), porém apenas a visão européia é estudada desde a sua base histórica, anterior a 1500, e também dentro das representações históricas brasileiras posteriores a essa data. O Conselho Nacional de Educação, ao normatizar os artigos 26-A e 79-B da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 10.639/2003), vem reconhecer a existência do afro-brasileiro e seus ancestrais (os africanos), sua trajetória na vida brasileira e na condição de sujeitos que contribuíram para a construção da sociedade.

Para Hernandez (2005), é importante salientar que, muitos obstáculos são encontrados no ensino de História Africana e dos Afro-descendentes. Estes obstáculos estão relacionados ao imaginário do povo brasileiro que foi construído por uma visão desinformada e descontextualizada a respeito da África, presente na mídia nacional. Um dos problemas é a difusão dos estereótipos, das imagens dos negros visto pelo europeu como exóticos, das mensagens racistas e preconceituosas que impregnaram o imaginário social.

É importante resgatar, diz Costa (2005), os elementos que recuperem a memória histórica afro-brasileira para revisar o papel que os negros desempenharam e desempenham nos diferentes espaços e paisagens culturais, na formação étnico-social do povo brasileiro, sem com isso desvalorizar as demais culturas, todas significativas para o Brasil.
Com o intuito de levar o professor a refletir sobre sua prática pedagógica, este trabalho, deve contribuir para que ele possa dar mais atenção ao tema (Cultura Afro-brasileira na sala de aula), iniciando desde a Educação Infantil.

É preciso que o professor lembre da necessidade de inovar e buscar respostas sobre os motivos e os objetivos, com a finalidade de utilizar os meios adequados para tratar dessa temática com os pequeninos.

Segundo Ferreira (2002), a Educação Infantil deve ofertar condições para a criança desenvolver harmonicamente suas potencialidades; estimular seu desenvolvimento físico, afetivo, emocional e social; suprir deficiências causadas por carência ambiental; adquirir habilidades necessárias para a aprendizagem da leitura, da escrita, do cálculo; despertar a criatividade como elemento de auto-expressão; propiciar a interação com as pessoas; desenvolver o senso crítico, agindo e interagindo no seu meio; ser capaz de construir seu próprio conhecimento.

Antes que o professor inicie o trabalho com a criança da Educação Infantil, é imprescindível lembrar que os primeiros anos de vida de uma criança são muito importantes para o seu desenvolvimento físico, emocional, social e mental. Nesse período, ela tem oportunidade de desenvolver suas potencialidades, preparando-se e despertando para a vida. Devemos considerar que, quando a criança ingressa na escola, ela transpõe o limiar da família e passa a conviver com pessoas da sua idade, descobrindo à sua maneira, novos valores, novas experiências, que vêm enriquecer a sua própria e com as quais passa a compartilhar sua vivência. Para Ferreira, essa socialização dá-lhe confiança em si, adaptabilidade e rendimento intelectual.

Esses motivos são suficientes para nos garantir o trabalho com essa temática em sala de aula com o educando infantil, onde o professor torna-se importante para favorecer o processo de desenvolvimento da criança oportunizando uma nova visão de mundo a ser explorada, resgatando valores deixados para traz em gerações passadas.

Sendo urgente e inquestionável a necessidade de capacitação do professor, este trabalho proporciona o espaço para a reflexão e uma práxis pedagógica mais consciente do seu papel, conforme visa a Lei 10.639/2003.

A apresentação deste trabalho tem como intuito, trazer à superfície, questões que levem o professor a (re)pensar a História do Brasil da forma como tem sido trabalhada atualmente e assim remontar estratégias de ensino-aprendizagem a serem desenvolvidas em sala de aula de forma que promova o desenvolvimento da criança favorecendo a construção de uma identidade positiva com relação à contribuição da Cultura Afro-Brasileira na formação da sociedade.

1) A nossa proposta é colaborar com a formação do professor, oferecendo sugestões de leituras para sua atualização e qualificação, propiciando embasamento teórico para seu próprio conhecimento e informação. E a partir daí, através da apresentação expositiva, levar o professor a indagar:

● Como reconhecer e valorizar a identidade, a história e a cultura dos afro-brasileiros, bem como garantir o reconhecimento e a igualdade de valorização das raízes africanas na nação brasileira, ao lado das indígenas, européias e asiáticas?

2) Ainda, como proposta, sugerir adoção de estratégias pedagógicas que contemplem tanto trabalhos individualizados quanto em conjunto entre os educandos infantis para serem trabalhados em sala de aula com a orientação do professor. Além de trabalhar especificamente habilidades que atendam ao desenvolvimento escolar do aluno nessa fase educacional, inserir o tema cultura afro-brasileira na educação infantil, corrobora para alargar os horizontes, aumentar as oportunidades, melhorar o relacionamento entre as crianças e entre as pessoas.

O meio em que a criança vive é fundamental para seu desenvolvimento, por isso oferecer aos alunos um ambiente repleto de estímulos que desperte a curiosidade e o interesse, das mais variadas experiências, desenvolvendo a sociabilidade, respeito, cortesia e cooperação. Nesse ambiente eles assimilam os conceitos de direitos e deveres, de autoridade, obediência e atitudes morais, formação de hábitos, ambiente propício para tratar sobre a história e cultura afro-brasileira.


RESULTADOS

O nosso compromisso com a atuação do professor em sala de aula tem sido um estudo de anos pela autora, com atividades desenvolvidas diretamente com alunos em sala de aula (dos diversos níveis) e com multiplicadores (professores de diversas áreas e alunos).

Os resultados previstos e obtidos com este trabalho (divulgação e promoção da cultura afro-brasileira através de palestras) são a reflexão e a mudança de atitude das pessoas que participam. Através de acompanhamento já feito em outros trabalhos anteriores, constatamos que os envolvidos mudam a postura diante da problemática do negro, refletindo sobre vários aspectos do tema, o que não tinham o hábito de fazer anteriormente. Este já é um grande passo na educação, pois somente o fato de encaminhar o professor (que levará também o aluno) a (re)pensar a situação do afro-brasileiro no Brasil; torná-lo mais sensível e interessado pelo tema; e perceber mudanças de comportamento; torna-o imprescindível.

O resultado que esperamos é que o educador ao participar do evento, fique intrigado, incomodado com a forma pedagógica com que temos trabalhado a cultura, de um modo geral, na sala de aula e, assim, sinta-se desafiado a buscar maneiras para pensar, decidir, agir, assumindo responsabilidades por relações étnico-raciais positivas, enfrentando e superando discordâncias, conflitos, contestações, valorizando os contrastes das diferenças e também a convivência harmoniosa das diferentes identidades culturais. Destacamos aqui, a matriz étnica africana e negra por sua especificidade histórica, social e política.

CONCLUSÕES

Desvelar, no ambiente escolar, a contribuição dos negros à cultura nacional é uma ação afirmativa de combate ao racismo, à discriminação e ao preconceito racial ainda existentes em muitas de nossas escolas desde as classes de Educação Infantil.

Na medida em que conhecemos e prestigiamos o patrimônio cultural de origem afro-brasileira, mais condições temos de proceder à releitura da história oficial, reconsiderando o papel efetivo do negro na construção da nossa sociedade, na condição de protagonista.

O estudo da cultura afro-brasileira na escola, e mais especificamente em nossa abordagem, na educação infantil, pode oferecer conhecimentos e segurança para negros orgulharem-se de sua origem africana; para os brancos, permitir que identifiquem as influências, as contribuições, a participação e a importância da história e da cultura do negro no seu jeito de ser, viver, de se relacionarem com as outras pessoas. (Parecer CNE/CP3/2004).

As distorções históricas que alimentam práticas inferiorizantes das culturas afro-descendentes estão manifestadas no meio social e no ambiente escolar. No cerne dessas distorções, existe uma série de mitos e inverdades sobre os afro-descendentes, que foram construídos no decorrer da história brasileira. Para Lopes (2003), esses mitos e inverdades afetam a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e, de modo particular, penalizam a população negra. As imagens negativas sobre africanos e afro-descendentes veiculadas na sociedade atingem os seus referenciais identitários e as possibilidades de construção e exercício da cidadania.

O caminho para a pluralidade étnica-racial na prática educativa, que contemple todas as etnias que compõem a sociedade brasileira, passa obrigatoriamente pela ressignificação das concepções sobre a África e o afro-descendente, diz Silva (2001). Para isso, é necessário viabilizar materiais pedagógicos que possibilitem a eliminação dos inúmeros preconceitos que ainda existem na sociedade em relação aos descendentes de africanos no Brasil (livros didáticos que contemplem o multiculturalismo; filmes e vídeos que abordem o assunto; atividades pedagógicas, culturais e artísticas que envolvam o tema).

O professor da educação infantil (e de outras áreas), ciente desse processo educativo encontrará embasamento nos princípios da consciência política e histórica da diversidade, do fortalecimento de identidades e de direitos, das ações educativas de combate ao racismo e a discriminações, utilizando metodologia e estratégias de ensino que favoreçam a nova geração, oportunizando, já na educação infantil o rompimento com imagens negativas, forjadas por diferentes meios de comunicação, contra negros e povos indígenas, promovendo a elevação da auto-estima dessas comunidades. (Munanga, 2005).

Este trabalho convida o educador infantil a avaliar a sua atuação como professor em sala de aula e a reformular a sua prática pedagógica, possibilitando a formação de um novo perfil de professor (e de aluno), que se aproprie dos saberes sobre a história e a cultura afro-brasileiras para serem socializadas, a fim de romper com a pedagogia clássica que prioriza o modelo eurocêntrico e garanta às gerações futuras a construção de uma cidadania de igualdade étnico-racial, por meio de uma pedagogia multirracial e interétnica, onde os pequenos encontrem referências em outros de mesma origem étnico-racial, considerando que o negro que não se vê em outro tem dificuldade em reconhecer-se e identificar-se como tal; e que o de outra etnia reconheça e valorize o afro-brasileiro como contribuinte de grande importância e influência na formação da sociedade brasileira.

E assim, pelo conhecimento da história e da cultura afro-brasileiras, desenvolvamos nossas possibilidades de criar e reformular valores que nos conduzam a uma nova visão de mundo, onde há lugar para todas as crianças, todos os jovens, todos os homens e mulheres.


BIBLIOGRAFIA

COSTA, Ingrid Oliveira Santos. Torotama: educação ambiental, cidadania e cultura afro-brasileira. Dissertação de Mestrado em Educação Ambiental. Rio Grande/RS: FURG, 2005.

FERNANDES, José R. O. Ensino de história e diversidade cultural: desafios e possibilidade. Caderno Cedes, Campinas, v. 25, n.67, p. 378-388, set/dez/2005.

FERREIRA, Idalina Ladeira. Atividades na pré-escola. São Paulo: Saraiva, 2002.

HERNANDEZ, Leila. África na sala de aula: visita à história contemporânea. São Paulo: Selo Negro, 2005.

BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Diário Oficial da União. Brasília, 10 de janeiro de 2003.

LOPES, Véra Neusa. Inclusão étnico-racial: cumprindo a Lei, práticas pedagógicas contemplam afro-brasileiros. Revista do professor. Porto Alegre/RS, v. 19, n. 75, p. 25-30, jul/set 2003.

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