Professora Ingrid 2010

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Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brazil
Magistério com habilitação em Séries Iniciais e Pré-escola (SP), Pedagogia e Psicologia da Educação (FURG), Pós-graduanda em Psicopedagogia, Mestra em Educação Ambiental com abordagem na Cultura Afro-brasileira e Artes (FURG) e ex-graduanda do Curso de Letras- Português (FURG). Estudei piano e teoria musical na Conservatório de Música do Rio de janeiro e Rio Grande. Aprendi instrumento de sopro/metal e flauta doce. Funcionária Pública Estadual e Municipal com experiência em Gestão Escolar, Supervisão Escolar, Docência, Educação Especial e EJA. Experiência no setor privado como Bancária e Secretária. Realização de projetos, como: Coral de adultos e infanto Juvenil; confecção de artesanato em geral;Coordenadora de acampamentos para crianças e jovens, adultos e idosos; recreação para crianças, jovens, adultos e idosos; música; dança;projetos sociais; palestras com diversos temas apresentados em vários Estados Brasileiros, América Latina e na Europa/Alemanha;Apresentadora de Programa de Rádio.Assessora Pedagógica das Relações Étnico-Raciais SMED/Rio Grande-RS.

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domingo, 17 de janeiro de 2010

Filme ILHA DAS FLORES - Sugestões de atividades pedagógicas - Ens. Fundamental e Médio

Filme: Ilha das Flores

Maria Salete Prado Soares
Gênero Documentário
Experimental
Diretor Jorge Furtado
Elenco Ciça Reckziegel
Ano 1989
Duração 13 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil

Obs. Possuo cópia do filme, mas é possível baixar pela internet
também.

O premiado curta-metragem Ilha das Flores, produzido há 17 anos, não deixa ninguém indiferente à sua projeção e costuma provocar fortes reações, mesmo em quem já o assistiu anteriormente. Já foi amplamente discutido e utilizado em sala de aula e presta-se a um ótimo trabalho interdisciplinar, dada a possibilidade de ser abordado por várias áreas do conhecimento: geografia, história, ética, economia, sociologia, meio-ambiente, biologia, filosofia, matemática, etc.

A força desse documentário, além, evidentemente, do tema humano e social, reside numa estratégia argumentativa que seduz e engana o telespectador, que não consegue perceber o tema verdadeiro do filme, só revelado por Furtado nos instantes finais, depois de vertiginosa sucessão de imagens.

A sugestão de aplicabilidade agora desenvolvida pretende ilustrar possibilidades outras além das tradicionais que o filme suscita e abrange áreas da linguagem e leitura de texto verbal e visual.


Nível de Ensino: Fundamental II (8ª série) e Médio

Disciplina: Língua Portuguesa

Temas de Língua Portuguesa:
 Linguagens verbal e visual
 Figura de linguagem: ironia
 Intertextualidade: paródia, paráfrase.
 Gêneros textuais: documentário, sinopse, resenha.
 Assunto e tema
 Argumentação: recursos argumentativos e seus efeitos.


Narrado numa linguagem de documentário, o filme pretende um tom de neutralidade. É exatamente esse tom asséptico e pretensamente didático que é responsável por desencadear a carga emotiva do filme, já que entra em contradição com as imagens, gerando uma constante quebra de expectativa.



Sugestões de atividade:

 Trabalhar gêneros textuais: Seria interessante discutir, antes do dia do projeção do curta, o que seria um documentário.

Verbete: DOCUMENTÁRIO
DICIONÁRIO AURÉLIO
(...)
4. Cin. Filme, em geral de curta-metragem, que registra, interpreta e comenta um fato, um ambiente, ou determinada situação.
-----------------------------------------------------------------------------------------------
DICIONÁRIO HOUAISS
(...)
2 Rubrica: cinema, televisão.
filme informativo e/ou didático feito sobre pessoa[s] (ger. de conhecimento público), animais, acontecimentos (históricos, políticos, culturais etc.) ou ainda sobre objetos, emoções, pensamentos, culturas diversas etc.
-----------------------------------------------------------------------------------------------
WIKIPÉDIA (http://pt.wikipedia.org/wiki/Documentário)
Documentário é um gênero cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade. Mas dessa afirmativa não se deve deduzir que ele represente a realidade tal como ela é. O documentário, assim como a ficção, é uma representação parcial e subjetiva da realidade. Atualmente, há uma série de estudos cujos esforços se dirigem no sentido de mostar que há uma indefinição de fronteiras entre documentário e ficção.

Após a projeção, discute-se se Ilha das Flores é um documentário e qual a especificidade desse gênero.

De acordo com o próprio diretor, Jorge Furtado, Ilha das Flores é uma paródia ao documentário do modo expositivo de representação com o objetivo de criar uma empatia, através do humor, para melhor provocá-lo na seqüência final. — “Para convencer o público a participar de uma viagem por dentro de uma realidade horrível, eu precisava enganá-lo. Primeiro, tinha que seduzi-lo e depois dar a porrada.“
(FURTADO, Jorge. Um astronauta no Chipre. Porto Alegre: Artes Ofícios, 1992, p. 63).


 Outra possibilidade, esta não é específica deste filme é traçar a diferença entre sinopse e resenha crítica.

Sinopse (ou Resenha-resumo): É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor.

Resenha-crítica: É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião.
Adaptado de http://www.pucrs.br/gpt/resenha.php

 É interessante também estabelecer a diferença entre assunto e tema, pois o assunto é um só, mas que gera diferentes temas. Pode-se propor, depois, que os alunos elaborem uma resenha do vídeo.

TEMA provém do latim "thema", tema, proposição, argumento, matéria, tese. E este provém do grego "théma", proposição, isto é, aquilo que se propõe. O tema significa, pois, a idéia central duma obra literária, como, por exemplo, o amor, a saudade, etc. (o tema, em geral, é abstrato). No caso do Ilha, há vários temas: a fome, exclusão social, a liberdade, etc
ASSUNTO provém do latim "assumptu(m)", particípio passado do verbo "assumere", tomar, receber para si; juntar, aplicar; praticar. É a seqüência de acontecimentos. Poderíamos dizer que o assunto de Ilha das Flores é o percurso de um tomate em diferentes fases de sua vida.
Adaptado de http://ciberduvidas.sapo.pt

 Antes de iniciar a projeção, seria interessante estimular a curiosidade dos alunos, propondo algo como:

* O que há em comum entre tomates, porcos e seres humanos?

De acordo com Renata do Amaral, uma sinopse feita pela própria equipe do filme diz que: "Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. "Ilha das flores" segue-o até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos."
AMARAL, Renata. A polifonia no curta-metragem Ilha das flores. Diasponível em [http://


Ao final, buscar as diferenças e semelhanças entre tomates, porcos e seres humanos, resgatar as respostas iniciais e confrontando-as.


 Algumas perguntas com relação ao objetivo do filme:
* Qual o propósito do diretor ao avisar, antes do início da história:

• Este filme não é ficção
• Esta não é a sua vida
• Deus não existe

Solicitar, também, que sejam identificados os questionamentos que estão por trás da trajetória do tomate, do momento em que é plantado até chegar ao lixo.

 Com relação ao narrador: pedir aos alunos que identifiquem quem é o narrador (ou de que lugar ele fala), uma vez que há passagens em que se diz:
• Os seres humanos são animais mamíferos, bípedes, e se distinguem dos outros mamíferos como a baleia ou bípedes como a galinha, principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor."
• “realizam melhoramentos no seu planeta como plantar tomates. ”

Além disso, questionar a “precisão científica” de alguns dados tais como a exata localização geográfica com a inclusão de latitude e longitude, por exemplo. Estaria o diretor fazendo uma sátira ao cientificismo? Esta pergunta irá relacionar-se aos efeitos que isso cria em termos de argumentação.


 Com relação às linguagens verbal e visual, chamar a atenção para a contradição que existe entre a linguagem verbal, a narração, a voz “oficial” e a linguagem visual, imagética e sonora, relação permeada pela ironia. Exemplos:

• A voz diz que ter um telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor permite realizar melhoramentos no planeta como plantar tomates, enquanto a imagem mostrada é da explosão da bomba atômica.

• "Água é uma substância inodora, insípida e incolor formada por 2 átomos de hidrogênio e 1 átomo de oxigênio" e a imagem na tela é de um rio sujo, com águas turvas, que pressupõe cheiro e gosto bastante desagradáveis.

• "os judeus possuem telencéfalo altamente desenvolvido e dedo polegar opositor. São, portanto, seres humanos". O que se vêem são homens magros, maltratados, cercados de arame farpado e corpos empilhados, lembrando os campos de concentração nazistas.


 Quanto à argumentação

O documentário é um texto argumentativo que pretende levar seu receptor a uma determinada conclusão.


TEXTO ARGUMENTATIVO é o texto em que defendemos uma idéia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procurando (por todos os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite-a, creia nela.
Num texto argumentativo, distinguem-se três componentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas.
TESE, ou proposição, é a idéia que defendemos, necessariamente polêmica, pois a argumentação implica divergência de opinião.
A palavra ARGUMENTO tem uma origem curiosa: vem do latim ARGUMENTUM, que tem o tema ARGU , cujo sentido primeiro é "fazer brilhar", "iluminar", a mesma raiz de "argênteo", "argúcia", "arguto".
As ESTRATÉGIAS não se confundem com os ARGUMENTOS. Esses, como se disse, respondem à pergunta por quê (o autor defende uma tese tal PORQUE ... - e aí vêm os argumentos).
ESTRATÉGIAS argumentativas são todos os recursos (verbais e não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ouvinte, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc.
Adaptado de http://www.pucrs.br/gpt/argumentativo.php,

Seria interessante levar os alunos a identificar qual seria a tese, os argumentos e as estratégias desenvolvidas em Ilha.

Existem vários tipos de argumentos, dentre eles, o argumento
• de autoridade
• baseado em consenso
• baseado em provas concretas
• baseado no raciocínio lógico


É interessante notar que há um discurso pretensamente científico, que se caracterizaria como argumento de “autoridade”; a cada novo elemento do filme, o narrador emite um conceito que, embora correto, apresenta uma visão inusitada, estranha, diferente do tradicional. Por exemplo:

• Um dia é o intervalo de tempo que o planeta Terra leva para girar completamente sob o seu próprio eixo
• Terreno é uma porção de terra que tem um dono e uma cerca
• De origem orgânica é tudo aquilo que um dia esteve vivo na forma animal e vegetal
• Uma prova de história é um teste da capacidade de um telencéfalo de um ser humano de recordar dados referentes ao estudo da História.

Entre as estratégias argumentativas usadas com a finalidade de convencer, temos a argumentação pelo absurdo, que se revela na contradição entre texto narrado e imagem, pela ironia desvendada nessa relação.

Assim, ao final do percurso narrativo-argumentativo, Jorge Furtado conclui sua história: "O que coloca os (os seres humanos) abaixo dos porcos é o fato de não terem dinheiro nem dono." E encerra acrescentando um dado à definição de ser humano: “o ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre.

Recorrendo à definição do dicionário: Livre é o estado daquele que tem liberdade. Para completar com Cecília Meirelles: Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda". Na tela, o que vemos é a miséria e sofrimento de seres humanos, que vivem em condições piores que porcos.


Referências e links
AMARAL, Renata. A polifonia no curta-metragem Ilha das flores. Disponível em [http:// http://users.hotlink.com.br/reamaral/documentarios/polifonia.html] Acesso em 3/11/2005

BARROS, Gabriela Torres. A ilha da paráfrase. Disponível em [http://users.hotlink.com.br/reamaral/documentarios/parafrase.html]. Acesso em 18/07/2005.

FURTADO, Jorge. Um astronauta no Chipre. Porto Alegre: Artes Ofícios, 1992.

http://www.casacinepoa.com.br/port/filmes/ilhadasf.htm
http://www.planetaeducacao.com.br/cinema/ilha_das_flores.asp
http://www.casacinepoa.com.br/port/filmes/ilhadasf.htm
http://www.cinemando.com.br/200211/entrevistas/resenhas/ilhadasflores.htm

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